Você está passando pela crise da meia-idade?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a meia-idade é o primeiro estágio do envelhecimento, entre 45 a 59 anos. Nessa etapa da vida, muitas vezes nos vemos diante de reflexões que sacodem as certezas e as escolhas feitas até então. Tem gente que conclui que não quer mais estar casado, outros que não querem mais trabalhar naquela empresa, outros ainda questionam se a própria profissão foi uma escolha acertada. Essa é a famosa crise da meia-idade.

De um jeito ou de outro, a verdade é que essa não é uma situação agradável pra ninguém, afinal, ela mexe com certezas, exige decisões importantes e pode trazer insegurança e angústia. Mas, por outro lado, ela provoca questionamentos necessários para avaliar se você está levando a vida que deseja levar, sem estar no piloto automático.

Como diz o filósofo, escritor e educador Mario Sergio Cortella, “várias de nossas certezas, como os tapetes, têm que ser sacudidas vez ou outra.”

Agora, ATENÇÃO, vou te fazer algumas perguntas para você chegar às suas próprias conclusões durante a sua crise da meia-idade, principalmente para descobrir se você trabalha com o que te realiza:

  1. Quais os primeiros pensamentos e sentimentos que você tem ao acordar para mais um dia? Se você não sabe agora, avalie nos próximos dias.
  2. Você se sente motivado para realizar o seu trabalho quase sempre? 
  3. O que te motiva está no próprio trabalho ou em objetivos externos (exemplos: remuneração, bônus, viagens, aquisições etc.)?
  4. Você se considera bom no que você faz? 
  5. Você costuma receber feedbacks positivos dos seus superiores, clientes ou equipe?
  6. Se você pudesse escolher o trabalho dos sonhos, você escolheria o seu atual ou é algo muito distante dele?
  7. O que você gostaria de mudar no seu trabalho? Faça uma lista e veja quais itens você pode mudar sozinho ou com pouca ajuda.
  8. Você consegue se imaginar trabalhando com o que você faz até o final da sua vida?

Lembra daquela brincadeira que fazemos muitas vezes tentando imaginar o que faríamos se ganhássemos na loteria? Pode até parecer brincadeira, mas esse é um ótimo exercício para analisar se a sua vida atual está te fazendo feliz ou se você está só levando porque não tem dinheiro suficiente. Pense nisso. Se você ganhasse na loteria, você nunca mais faria o que está fazendo hoje? 

Tá Fernanda, mas se eu concluir durante a minha crise da meia-idade que eu não estou trabalhando com o que me realiza? Faço o que nessa altura da minha vida? 

Respondo em 4 passos: 

Passo 1. Primeiro, afirmo com convicção que você pode fazer qualquer coisa em qualquer altura da vida, certo? 

Passo 2. Segundo, é preciso identificar as razões pelas quais você está infeliz no trabalho.

Você não gosta das atividades que realiza ou o que incomoda é a remuneração? Esse é apenas um exemplo, mas as razões podem ser inúmeras: ambiente de trabalho, equipe, chefes ou superiores, cultura da empresa ou do negócio, cidade ou país, falta de perspectiva de crescimento, falta de estímulo, acomodação, entre tantas outras.

Passo 3. Depois de identificar as razões, desenhe o seu trabalho ideal.

Aquele com o qual você sonha e faria até se ganhasse na loteria, só por hobby. É desenhar? Escrever? É cantar? Ser arquiteto ao invés de engenheiro? É ser escritor ao invés de advogado? 

Então, agora detalhe bem este trabalho ideal sem pensar no que os outros iriam pensar. Eu sei que muita gente não consegue fazer o que gostaria porque precisa pagar os boletos. Mas sei também que sempre podemos construir a realidade que desejamos hoje, já, mesmo que ela leve um tempo para se materializar. 

Passo 4. Avalie sua relação com o seu tempo

Um estudo feito por Ashley Whillans, professora assistente da Harvard Business School para a matéria da revista Harvard Business Review intitulada “Vale à pena trocar dinheiro por tempo?” indicou que focar no tempo ao invés de no dinheiro gera carreiras mais felizes. 

Em outro estudo da autora com Elizabeth Dunn, elas descobriram que, entre os alunos que estavam prestes a se formar na faculdade, os que priorizaram o tempo escolheram uma carreira que oferecia recompensas intrínsecas e um ano depois eram mais felizes do que os demais alunos. Elas concluíram que quando as pessoas trabalham no que realmente gostam, elas são menos afetadas pelo estresse diário e conseguem ser mais criativas e produtivas.

Leia também: Existe fórmula para não sofrer com a administração do seu dia

Portanto, a minha dica é: procure equilibrar a realização profissional com a realização financeira. Você pode fazer o que gosta, pagar as suas contas e ainda sobrar para ficar tranquilo. Mas isso exige planejamento e consistência, exige muitas vezes mudanças e transformações, mas garanto que compensa! 

Permita-se questionar!

Espero ter ajudado você a identificar se você trabalha com o que te realiza, seja na meia-idade ou em qualquer outra etapa da sua vida.

Até a próxima!

 

Fonte: Revista Harvard Business Review Brasil – Edição Abril 2019

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